Arquivo para fevereiro \03\UTC 2012

O Cara do chapéu

Primeiro ela sorriu. Depois desviou o olhar pro chão. Como quem diz – vem cá – enquanto finge que tá com vergonha. Safada. Mas eu não fui de primeira. Porque queria ficar bêbado antes. E matei uma dose de whisky, e depois um shot de vodka, e mais um.

Um cara parou do meu lado. Ele tava de chapéu. Se achando estiloso e original. Pensei que chapéu tava na moda. E que deixava mesmo o cara estiloso. Mas original, nem fudendo. Ele perguntou se eu era de lá. Eu disse que não. Ele disse que já desconfiava. Porque nunca tinha me visto. Perguntou meu nome. Perguntou se eu tava gostando. Eu tava. Mas queria que ele ficasse quieto. – Perder tempo de balada falando com macho é foda. Falei isso olhando no olho dele. Ele foi embora.

Pedi uma tequila e uma cerveja. – Itaipava não, Heineken mesmo, por favor – Depois fui até a gostosa que sorriu pra mim. Cheguei puxando pela cintura e já tasquei um beijo no pescoço. Foda-se que eu nem sabia o nome dela. Mulher curte essa parada que eu tô ligado. Ela virou a cabeça pro lado contrário. Pra aumentar a superfície de contato. Eu senti ela ficando toda arrepiada. Não disse que mulher curte essa parada? Encostei ela na parede. E pensei que já tava no papo.

E tava. E lambia a minha orelha. E abriu um pouco as pernas. E lambia a minha orelha. E suspirou quando eu pressionei a xana dela com a mão. E lambia a minha orelha. E gemeu ao mesmo tempo que eu senti a calça dela ficando quente. E lambia a minha orelha. E viu o cara de chapéu passando atrás da gente. E lambia minha orelha. E achou ele estiloso. E lambia a minha orelha. E lembrou que ela mesma escolheu o chapéu dele. E lambia minha orelha. E fez cara de atriz pornô. E lambia a minha orelha. E percebeu que ele tava com cara de quem queria que a minha orelha fosse a dele

– Ai, calma, vamos dançar um pouco – Ela disse isso e me empurrou pra trás.

Eu fiquei puto. Mas disfarcei. Porque ela era uma gostosa. Dançar só é útil pra agarrar mulher, porra. E eu já tinha feito isso. Dançar acompanhado é quase tão estúpido quanto perder tempo com macho na balada. Eu enxuguei a baba do ouvido com a manga da camisa. E vi que meu copo tava vazio. Falei que ia até o bar. Ela disse que ia ficar me esperando ali na pista. E que queria uma caipiroska de kiwi. Caipiroska de kiwi? Será que queria um caviar também? Eu só não falei isso em voz alta porque ela era uma gostosa.

Quando voltei vi que ela não tava mais dançando. Tava atracada com o cara de chapéu. Ele apertando a bunda dela. Ela lambendo a orelha dele. Eu parado com a porra da caipirinha de kiwi e o copo de cerveja nas mãos. Ela lambendo a orelha dele. Quando eu cheguei perto ela olhou pra mim com cara de atriz pornô. E lambeu a orelha dele. Chamei ela de Vadia do caralho. Ela riu. – Tá rindo de quê? Ele disse pra eu ficar calmo. – Calmo é o caralho! – Tava tudo girando. – Ele é meu namorado! – Namorado é o caralho! – Eu virei a caipiroska de Kiwi num gole só. E armei um soco na cara dele. Ele deu um passo pro lado. Eu fui pro chão.

– Não disse que essa história de arranjar um cara pra um menáge era arriscada? Ela falou isso enquanto ia embora abraçada com ele.

E eu fiquei ali caído feito um bêbado de merda.