Arquivo para março \08\UTC 2010

Até aqui.

Como num piscar de olhos, vinte e sete. Ele, que já passou por tantas e tão variadas experiências, ainda não se sente maduro. Talvez porque saiba que a maturidade não venha das experiências, como pensa a maioria. Mas, sim, da intensidade com a qual essas experiências são vividas.

Têm, por exemplo, aqueles que viajam o mundo todo, mas não conhecem lugar algum. Simplesmente passaram, tiraram fotos e partiram para a próxima paisagem. Admiradores de paisagens. Ficam ali, vendo a vida passar. Parece que dói menos se somos só observadores e não parte de tudo. Se aquilo não me pertence e não me toca é mais fácil de seguir em frente. Pelo menos enquanto não se olha para o espelho. O espelho não mente, e as marcas do tempo não dão chances para ludibríos. Elas nos fazem lembrar que somos finitos.  As marcas do tempo chegam iguais nos rostos dos admiradores de paisagens. Mas muito mais impiedosas e angustiantes do que naqueles que se implicaram e fizeram, de algum jeito, parte da paisagem.

Estes, os que são parte da paisagem, às vezes não conhecem tantos lugares assim. Mas sabem que aquele lugar do qual fazem parte nunca é o mesmo. Assim são capazes de conhecer milhares de mundos só ali, na percepção da mudança. na pré anunciação das rugas por vir. Constroem, então, um projeto, batalham por ele, e lá na frente, quando olharem no espelho e sentirem as marcas do tempo, vão também se angustiar, mas, poderão confortar-se. O tempo não foi perdido.

Aos vinte sente ele ainda não sente-se maduro. Mas olha para trás e sabe que não foi um admirador de paisagens, pelo menos não o tempo todo. Tinha um sonho adolescente, e foi atrás dele. Ainda não está onde queria. Mas sente que falta pouco. Está no caminho certo. As marcas no rosto mostram que não lhe resta muito tempo. E, como já ouviu de um amigo por aí, é essa urgência avassaladora que ajudará com um último empurrãozinho. Sente que é agora ou nunca. Se assusta, mas segue em busca da maturidade. E vai chegar.

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